Para iniciar um novo percurso das palavras dentro deste espaço, começo apresentando uma idéia nada brilhante: lançamentos. Para quem prefere discursos sobre relíquias fílmicas, “bombas” valorosas e demais fenômenos bem vindos do mundo da sétima arte, sem dúvida, sentira-se afetado.
Sem muito me preocupar com os mesmos que ainda choram, sigo a relação. Antes de tudo, não custa tentar explicar (para aqueles que ainda estão reclamando lá atrás – e para todos também) que resolvi fazer deste um assunto corrente (mas não criativo), pois se trata de uma semana de boas surpresas ao alcance da mão de – quase – todos.
Temos repousando nas prateleiras nada mais, nada menos que um “Robert Redford”, um “Michal Winterbottom”, um “Lars Von Trier” e um “Wes Anderson”. Querem mais?! Bom, aí só na sexta quando eu comentarei dos outros lançamentos...
Para quem não sabe, Robert Redford, mais conhecido como suposto pai biológico de
Brad Pitt (vide Jogo de Espiões [2001] de Tony Scott), já ganhou o Oscar de melhor diretor nos idos da década de 80 por Gente Como a Gente (justo seu primeiro longa como diretor) e não figurava com a câmera nas mãos desde 2000 (com um filme pouco expressivo). Seu retorno marca sua veia política ressaltada, dessa vez às voltas com um assunto já tido como “ultra” lugar comum: a guerra no Iraque. Sua direção “acadêmica” – pejorativamente - pouco contribui em Leões e Cordeiros (2007), um daqueles filmes enraizados em diálogos precisos.
O roteiro de Matthew Carnahan (escritor de O Reino [2007] – em breve nas lojas) permeia três histórias simultâneas (sinto uma pitada de Arriaga – roteirista da “trilogia do caos”: Amores Brutos [2000], 21 Gramas [2003], Babel [2006]) que dão uma aula e tanto sobre o panorama atual do conflito, suas conjunturas políticas e seus possíveis – e desastrosos – próximos capítulos. Atuando em cena juntamente com Meryl Streep (cadeira vitalícia da Academia) e Tom Cruise (bonitinho esforçado) o filme tem lá seus momentos. A personagem de Streep cresce ao longo da trama, Cruise segura bem as pontas e Redford não faz feio. Contudo são os coadjuvantes – entre eles o queridinho latino Michael Peña de Crash (2004) e outros – que dão uma ótima apimentada a receita. Não é um filme dispensável, afinal toda essa gente reunida faz a diferença, porém, se você prefere não ver o que já vê assistindo ou lendo qualquer jornal atualmente, não se dê ao trabalho.
Bem diferente é o caso de O Preço da Coragem (2007) do pouco famoso, porém muito interessante Michael W
interbottom. O cineasta ergue sua carreira com filmes muitos bons, entre eles Bem Vindo À Sarajevo (1997), o intrigante Nove Canções (2004) e o imperdível Caminho Para Guantânamo (2006) – se bem que eu perdi esse filme. Menos “glamourizado” que o filme anterior, Winterbottom resgata Angelina Jolie de papéis fúteis e lembrados apenas por atributos físicos e a coloca em meio a uma das histórias mais desesperadoras da mesma guerra do Iraque: o famoso caso do jornalista Daniel Pearl. Como a esposa grávida e atormentada do jornalista em busca por respostas, Jolie é símbolo de personagens que causam forte empatia com o público sem cair na melo dramatização. Mesmo porque as sacadas do diretor e sua maneira peculiar de combinar ficção com algo documental, faz do longa eficaz e tocante. Um dos filmes que não só explica o que se passa nas terras de Bin Laden (como dito, qualquer outdoor hoje em dia é capaz), contudo analisa e reflete sobre as conseqüências reais e próximas. Película esquecida pela Academia.
Menos requisitados e conhecidos, porém ainda mais apetitosos aos fãs, estão dividindo espaço O Grande Chefe (2007) do polêmico Lars Von Trier (Dogville [2003] e Manderlay [2005]) e Viagem À Darjeeling (2007) de Wes Anderson.
Wes é diretor do inesquecível Os Excêntricos Tenenbaums (2001), que fica como lição de casa (inclusive para mim) assistir a esse filme para entender a literal viagem da mais recente película do cineasta. Embora eu o tenha perdido em seu restrito circuito, sei que o filme é muito mais introspectivo, para não dizer hermético. O convite é dado, sem dúvida, pelas presenças enigmáticas de Adrien Brody (vencedor do Oscar por O Pianista [2002] de Roman Polanski), Owen “suicida” Wilson (fadado as comédias sem graça) e Jason Schwartzman (o esquisito rei Luis XVI de Sofia Copolla na recente versão de Maria Antonieta[2006]).
Já o chamariz de O Grande Chefe é tão somente o diretor. Outro filme que passo
u rápido demais pelo circuito (me deixando para trás também), inova na maneira de ser dirigida (jura?!). Sem a pretensão e astúcia dos demais trabalhos do diretor, Trier simplesmente pôs pra funcionar um software que dadas as condições da locação, calculava uma determinada e suposta melhor maneira de se captar a imagem e o som. Aventurando-se pela sagacidade das comédias, o diretor quis propor com o trabalho (ou a falta dele) o mesmo ambiente de grandes escritórios e corporações: tudo é mandado fazer e o chefe mesmo, nunca ninguém vê.
Perto dessas grandes obras (umas mais outras menos) fílmicas, não cabe espaço para comentar a pouca importância de Antes Só do Que Mal Casado (2007) dos irmãos Farelly. Tendo em mãos o maestro em canastrice Ben Stiller, os irmãos derrapam mais uma vez para machucar o pobre gênero das comédias – pobre no sentido de coitado. Deles são os chatos Quem Vai Ficar com Mary? (1998) e Amor em Jogo (2005). Salvam-se Eu, Eu Mesmo e Irene (2000), que não seria nada sem Jim Carrey e Ligado em Você (2003) que coloca Greg Kinnear e Matt Damon colados. Ou seja, em termos de genialidade humorística e irônica, eles seriam quase o oposto aos irmãos Cohen.
Até sexta outros longas devem chegar as locadoras de todo Brasil (embora no Acre demore um pouco mais e na 25 de Março eles já sejam antigos) e eu retornarei tentando convence-los – por bem ou por mal – a assistirem. Ou não.
Sem muito me preocupar com os mesmos que ainda choram, sigo a relação. Antes de tudo, não custa tentar explicar (para aqueles que ainda estão reclamando lá atrás – e para todos também) que resolvi fazer deste um assunto corrente (mas não criativo), pois se trata de uma semana de boas surpresas ao alcance da mão de – quase – todos.
Temos repousando nas prateleiras nada mais, nada menos que um “Robert Redford”, um “Michal Winterbottom”, um “Lars Von Trier” e um “Wes Anderson”. Querem mais?! Bom, aí só na sexta quando eu comentarei dos outros lançamentos...
Para quem não sabe, Robert Redford, mais conhecido como suposto pai biológico de
O roteiro de Matthew Carnahan (escritor de O Reino [2007] – em breve nas lojas) permeia três histórias simultâneas (sinto uma pitada de Arriaga – roteirista da “trilogia do caos”: Amores Brutos [2000], 21 Gramas [2003], Babel [2006]) que dão uma aula e tanto sobre o panorama atual do conflito, suas conjunturas políticas e seus possíveis – e desastrosos – próximos capítulos. Atuando em cena juntamente com Meryl Streep (cadeira vitalícia da Academia) e Tom Cruise (bonitinho esforçado) o filme tem lá seus momentos. A personagem de Streep cresce ao longo da trama, Cruise segura bem as pontas e Redford não faz feio. Contudo são os coadjuvantes – entre eles o queridinho latino Michael Peña de Crash (2004) e outros – que dão uma ótima apimentada a receita. Não é um filme dispensável, afinal toda essa gente reunida faz a diferença, porém, se você prefere não ver o que já vê assistindo ou lendo qualquer jornal atualmente, não se dê ao trabalho.
Bem diferente é o caso de O Preço da Coragem (2007) do pouco famoso, porém muito interessante Michael W
interbottom. O cineasta ergue sua carreira com filmes muitos bons, entre eles Bem Vindo À Sarajevo (1997), o intrigante Nove Canções (2004) e o imperdível Caminho Para Guantânamo (2006) – se bem que eu perdi esse filme. Menos “glamourizado” que o filme anterior, Winterbottom resgata Angelina Jolie de papéis fúteis e lembrados apenas por atributos físicos e a coloca em meio a uma das histórias mais desesperadoras da mesma guerra do Iraque: o famoso caso do jornalista Daniel Pearl. Como a esposa grávida e atormentada do jornalista em busca por respostas, Jolie é símbolo de personagens que causam forte empatia com o público sem cair na melo dramatização. Mesmo porque as sacadas do diretor e sua maneira peculiar de combinar ficção com algo documental, faz do longa eficaz e tocante. Um dos filmes que não só explica o que se passa nas terras de Bin Laden (como dito, qualquer outdoor hoje em dia é capaz), contudo analisa e reflete sobre as conseqüências reais e próximas. Película esquecida pela Academia.Menos requisitados e conhecidos, porém ainda mais apetitosos aos fãs, estão dividindo espaço O Grande Chefe (2007) do polêmico Lars Von Trier (Dogville [2003] e Manderlay [2005]) e Viagem À Darjeeling (2007) de Wes Anderson.
Wes é diretor do inesquecível Os Excêntricos Tenenbaums (2001), que fica como lição de casa (inclusive para mim) assistir a esse filme para entender a literal viagem da mais recente película do cineasta. Embora eu o tenha perdido em seu restrito circuito, sei que o filme é muito mais introspectivo, para não dizer hermético. O convite é dado, sem dúvida, pelas presenças enigmáticas de Adrien Brody (vencedor do Oscar por O Pianista [2002] de Roman Polanski), Owen “suicida” Wilson (fadado as comédias sem graça) e Jason Schwartzman (o esquisito rei Luis XVI de Sofia Copolla na recente versão de Maria Antonieta[2006]).
Já o chamariz de O Grande Chefe é tão somente o diretor. Outro filme que passo
u rápido demais pelo circuito (me deixando para trás também), inova na maneira de ser dirigida (jura?!). Sem a pretensão e astúcia dos demais trabalhos do diretor, Trier simplesmente pôs pra funcionar um software que dadas as condições da locação, calculava uma determinada e suposta melhor maneira de se captar a imagem e o som. Aventurando-se pela sagacidade das comédias, o diretor quis propor com o trabalho (ou a falta dele) o mesmo ambiente de grandes escritórios e corporações: tudo é mandado fazer e o chefe mesmo, nunca ninguém vê.Perto dessas grandes obras (umas mais outras menos) fílmicas, não cabe espaço para comentar a pouca importância de Antes Só do Que Mal Casado (2007) dos irmãos Farelly. Tendo em mãos o maestro em canastrice Ben Stiller, os irmãos derrapam mais uma vez para machucar o pobre gênero das comédias – pobre no sentido de coitado. Deles são os chatos Quem Vai Ficar com Mary? (1998) e Amor em Jogo (2005). Salvam-se Eu, Eu Mesmo e Irene (2000), que não seria nada sem Jim Carrey e Ligado em Você (2003) que coloca Greg Kinnear e Matt Damon colados. Ou seja, em termos de genialidade humorística e irônica, eles seriam quase o oposto aos irmãos Cohen.
Até sexta outros longas devem chegar as locadoras de todo Brasil (embora no Acre demore um pouco mais e na 25 de Março eles já sejam antigos) e eu retornarei tentando convence-los – por bem ou por mal – a assistirem. Ou não.
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