Sim, eu sei. Faz alguns séculos que eu não escrevia aqui. Podem me culpar, jogar pedra, cuspir, o que quiserem. Eu não me importo.
Mau humor à parte, regresso na tentativa de manter a rotina de falar bem ou mal dos filmes que ocasionalmente chegam ao mercado de “home vídeo” e, para aqueles que têm acesso a tais, poderem saber alguma coisa antes de perguntarem besteiras acerca deles.
Desde meu último comentário até hoje muitos filmes ocuparam lugares as prateleiras cada vez mais vazias das lojas e estantes dos lares nacionais. E eu, sinceramente, não senti falta de comentar nenhum deles. Logo, espero que vocês se toquem e percebam que eles, talvez, não mereçam ser vistos! Acho que fui claro o bastante.
Meu retorno é levado por impulso para comentar dois filmes que não foram classificados como eventos principais em nenhum cinema, mas que de alguma maneira miraculosa (mais conhecida como marketing) estão causando certo furor entre os espectadores caseiros.
O primeiro
é, por assim dizer, de peso. Trata-se de Os Indomáveis (2007), refilmagem do filme homônimo de 1957, desta vez dirigido por James Mangold, diretor do competente Johnny e June (2005). Pela segunda vez consecutiva seus filmes sofrem com a “brilhante” tradução brasileira e perdem a beleza de seus títulos originais. Os Indomáveis é na verdade 3:10 To Yuma e remonta ao que o filme realmente quer dizer: a luta contra o tempo. E Johnny e June tem por título Walk The Line, nome de uma das ótimas canções de Johnny Cash e que, também, tem muito mais a ver com a cinebiografia sofrida do artista, isto é, ande na linha.
No embalo do regresso as raízes do oeste, o gênero de western moderno ganha mais um membro. No filme, Christian “Batman” Bale, pai de família pacato e semideficiente, confronta o temido bandido Russel “Gladiador” Crowe. Ambos fazem de seus personagens maiores do que o próprio filme, aliados a figura enigmática (e de voz irritante) do ator Ben Foster, mais conhecido como o Anjo do filme X-Men: Confronto Final (2006) e que vem despontando como ator promissor, apostando em papéis, às vezes pequenos, porém de muita intensidade. Na trama o pai falido e sem esperança faz um acordo com o xerife local para participar da prisão do temível bandido que acabara de saquear um transporte do banco do vilarejo. Completamente perdido, sem saber o que estava fazendo e precisando muito de dinheiro, o personagem de Bale acaba por ter de transportar o bandido, após sua captura, para pegar o trem para a prisão de Yuma, que partia às 15h10. No trajeto muita correria, sangue e bravura. E se o filme parece, até seu meado, mais um filme de ação disfarçado aguarde pelo fim.
O segundo filme que eu resolvi comentar não só foi ignorado pelo cinema, como sofreu e sofrerá o preconceito do espectador comum. Isso porque no elenco temos a oscarizada super-estrela Nicole Kidman, aliada a Jennifer Jason Leigh (atriz de reputação m
enor, mas de igual talento vista em Estrada Para Perdição [2002]) e o enfadonho – mas fofinho – Jack Black. Margot e o Casamento (2007) é a mais recente realização do polêmico e sem meios termos, Noah Baumbach, indicado ao Oscar pelo roteiro de seu anterior – e excelente – filme A Lula e a Baleia (2005). Ele regressa ao ambiente familiar caótico e disfuncional para vivenciar o drama de uma escritura que tem de voltar a casa em que cresceu, para o casamento de sua irmã mais nova – com a qual não falava há um tempo - atual proprietária do lar. Em meio a memórias e frustrações, Margot tem de lidar com sua ineficiência eminente como mãe do garoto andrógino Claude, o fim do seu casamento e o caso com um colega de trabalho e também escritor, motivo real dela ter ido até sua cidade natal.
Os diálogos são perfeitos no filme e as situações instigantes e de humor extremamente refinado. Baumbach passeia pelo complexo ambiente familiar e todas as conseqüências psicológicas que as relações trazem ao presente e ao futuro. A personagem Margot traz um desequilíbrio constante às pessoas em volta dela e maior a sua própria vida. Mas ao invés de causar uma grande epifania moral nas pessoas, ela mesma, a duras penas, percebe que certas coisas nunca vão mudar e/ou melhorar. O desequilíbrio constante torna-se estagnação. A própria irmã, Pauline, alerta de sobrinho no filme que a mãe mudava sempre de idéia. Margot muda tanto de idéia que acaba onde começou: no mesmo lugar. AH! O filme tem um problema, sim! Jack Black. Precisa dizer algo a respeito?
Ficamos por aqui na minha sessão “revival” de exercício da escrita. Espero poder, em breve, dividir mais um pouco sobre filmes que – realmente – valham a pena comentar.
Mau humor à parte, regresso na tentativa de manter a rotina de falar bem ou mal dos filmes que ocasionalmente chegam ao mercado de “home vídeo” e, para aqueles que têm acesso a tais, poderem saber alguma coisa antes de perguntarem besteiras acerca deles.
Desde meu último comentário até hoje muitos filmes ocuparam lugares as prateleiras cada vez mais vazias das lojas e estantes dos lares nacionais. E eu, sinceramente, não senti falta de comentar nenhum deles. Logo, espero que vocês se toquem e percebam que eles, talvez, não mereçam ser vistos! Acho que fui claro o bastante.
Meu retorno é levado por impulso para comentar dois filmes que não foram classificados como eventos principais em nenhum cinema, mas que de alguma maneira miraculosa (mais conhecida como marketing) estão causando certo furor entre os espectadores caseiros.
O primeiro
é, por assim dizer, de peso. Trata-se de Os Indomáveis (2007), refilmagem do filme homônimo de 1957, desta vez dirigido por James Mangold, diretor do competente Johnny e June (2005). Pela segunda vez consecutiva seus filmes sofrem com a “brilhante” tradução brasileira e perdem a beleza de seus títulos originais. Os Indomáveis é na verdade 3:10 To Yuma e remonta ao que o filme realmente quer dizer: a luta contra o tempo. E Johnny e June tem por título Walk The Line, nome de uma das ótimas canções de Johnny Cash e que, também, tem muito mais a ver com a cinebiografia sofrida do artista, isto é, ande na linha.No embalo do regresso as raízes do oeste, o gênero de western moderno ganha mais um membro. No filme, Christian “Batman” Bale, pai de família pacato e semideficiente, confronta o temido bandido Russel “Gladiador” Crowe. Ambos fazem de seus personagens maiores do que o próprio filme, aliados a figura enigmática (e de voz irritante) do ator Ben Foster, mais conhecido como o Anjo do filme X-Men: Confronto Final (2006) e que vem despontando como ator promissor, apostando em papéis, às vezes pequenos, porém de muita intensidade. Na trama o pai falido e sem esperança faz um acordo com o xerife local para participar da prisão do temível bandido que acabara de saquear um transporte do banco do vilarejo. Completamente perdido, sem saber o que estava fazendo e precisando muito de dinheiro, o personagem de Bale acaba por ter de transportar o bandido, após sua captura, para pegar o trem para a prisão de Yuma, que partia às 15h10. No trajeto muita correria, sangue e bravura. E se o filme parece, até seu meado, mais um filme de ação disfarçado aguarde pelo fim.
O segundo filme que eu resolvi comentar não só foi ignorado pelo cinema, como sofreu e sofrerá o preconceito do espectador comum. Isso porque no elenco temos a oscarizada super-estrela Nicole Kidman, aliada a Jennifer Jason Leigh (atriz de reputação m
enor, mas de igual talento vista em Estrada Para Perdição [2002]) e o enfadonho – mas fofinho – Jack Black. Margot e o Casamento (2007) é a mais recente realização do polêmico e sem meios termos, Noah Baumbach, indicado ao Oscar pelo roteiro de seu anterior – e excelente – filme A Lula e a Baleia (2005). Ele regressa ao ambiente familiar caótico e disfuncional para vivenciar o drama de uma escritura que tem de voltar a casa em que cresceu, para o casamento de sua irmã mais nova – com a qual não falava há um tempo - atual proprietária do lar. Em meio a memórias e frustrações, Margot tem de lidar com sua ineficiência eminente como mãe do garoto andrógino Claude, o fim do seu casamento e o caso com um colega de trabalho e também escritor, motivo real dela ter ido até sua cidade natal.Os diálogos são perfeitos no filme e as situações instigantes e de humor extremamente refinado. Baumbach passeia pelo complexo ambiente familiar e todas as conseqüências psicológicas que as relações trazem ao presente e ao futuro. A personagem Margot traz um desequilíbrio constante às pessoas em volta dela e maior a sua própria vida. Mas ao invés de causar uma grande epifania moral nas pessoas, ela mesma, a duras penas, percebe que certas coisas nunca vão mudar e/ou melhorar. O desequilíbrio constante torna-se estagnação. A própria irmã, Pauline, alerta de sobrinho no filme que a mãe mudava sempre de idéia. Margot muda tanto de idéia que acaba onde começou: no mesmo lugar. AH! O filme tem um problema, sim! Jack Black. Precisa dizer algo a respeito?
Ficamos por aqui na minha sessão “revival” de exercício da escrita. Espero poder, em breve, dividir mais um pouco sobre filmes que – realmente – valham a pena comentar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário